Que bicho estranho é este
Ilha de charapucu, arquipélago do Marajó. Amazônia, Brasil.
Oliveiro Damasceno amarra a corda de sua canoa no pequeno trapiche do rio e salta com duas corvinas de 3, 3 quilos e meio e pega o rumo de sua casa pelo estreito caminho na mata, sua casa que fica ali! Mais adentro da ilha em local que não alaga na temporada das chuvas.
Chegando ao seu terreno com o resultado da pescaria matinal, Damasceno encontra no terreiro de terra batida em frente a sua casa uma pessoa deitada na terra branca, toda vestida com uma roupa azul- preta- colada- na- pele e em posição fetal.
Oliveiro Damasceno amarra a corda de sua canoa no pequeno trapiche do rio e salta com duas corvinas de 3, 3 quilos e meio e pega o rumo de sua casa pelo estreito caminho na mata, sua casa que fica ali! Mais adentro da ilha em local que não alaga na temporada das chuvas.
Chegando ao seu terreno com o resultado da pescaria matinal, Damasceno encontra no terreiro de terra batida em frente a sua casa uma pessoa deitada na terra branca, toda vestida com uma roupa azul- preta- colada- na- pele e em posição fetal.
Damasceno para e resmunga.
- Mas o que é isso? Que é que isso já aqui?
Damasceno aproxima da pessoa e cutuca com a bota de sete léguas o dorso dela, abaixa e olha bem perto o rosto e repara que a pessoa respira pouco, mas respira.
- Ta vivo, deve ta doente, que porcaria de roupa é esta? Melhor deixar o peixe no jirau. De onde é que já me veio este? Será que teve festa lá no bar do seu Duca?
Damasceno volta à frente da casa e carrega a pessoa.
- Mas é leve leve. Parece homem, parece mulher. Será que é fresco?
Com cuidado Damasceno entra na casa de madeira, deita a pessoa no colchão de espuma da cama no canto esquerdo da casa. Ele examina melhor a pessoa, toca na testa branca e Semitransparente.
- Tá frio.
Toca o rosto.
-Não tem sobrancelhas. O Cabelo é parece borboleta azul, brilha, a cara parece de boneca de criança.
Com os dedos tenta abrir um olho, o outro.
- Mais que é isto? Parece pregado. Haaá é pela horizontal. Puxa a pálpebra pelo lado e consegue abrir. O Olho é pretoprateado. Parece cor de panela de alumínio suja.
Tenta abrir a boca.
- Não tem lábios.
Com as duas mãos ele repuxa e abre.
Surpreso.
- Olha só, não tem dente nenhum, e a língua ta pregada no céu da boca.
Eu héin! Vê nada. Ta desmaiado. Não O que é que faço?
Damasceno tenta tirar a roupa da pessoa, puxa estica mas não consegue, não tem costura, não tem fecho éclair; não sai.
- Toma banho será. Hum, hum. Cheira a? Cheira a.
Quando a gente abre com terçado o ouriço da castanha do Pará.
Ele não tem nada rasgado. Não tem ferida nenhuma.
Por esse pescoço, pelo jeito esse ai nunca viu sol. Não tem peito, Magro parece uma osga, então não é mulher, mas também não é homem, não tem rola é liso ai entre as pernas. Bem, vamos ver se ele acorda. Vamos ver.
Damasceno sai para o terreiro, vai ao jirau e pega corvina, abre e puxa as tripas, corta a cabeça e vai deslizando o facão para tirar as escamas. Pega outra corvina, o tucunaré e corta por inteiro. Traz o balde de sal, passa em todos os peixes, menos o que vai comer hoje e estira sobre o plástico para secar ao sol.
Entra de novo na casa. Olha para a, pessoa. Ele pensa assim: É uma pessoa, não sei de que sexo é, mas uma pessoa é uma pessoa, e esta precisando de ajuda. Vai à prateleira da parede e desembrulha um cobertor de algodão cru acinzentado e coloca sobre ela.
Vira para a cozinha ( no lado direito da casa de um cômodo)
Vai para o fogareiro de 2 bocas, arruma o carvão, joga um pouco de querosene, risca um fósforo. O fogo acende, ele fica abanando até ficar no ponto.
Coloca a frigideira, derrama bem óleo de soja e coloca as postas de peixe para fritar.
Pega na prateleira de cima uma garrafa pet de 2 litros, derrama a metade da água ( de chuva) limpa em uma panela velha e coloca no fogareiro.
Pega uma outra garrafa pet cortada ao meio, retira um maço de ervas secas, joga na panela.
Na prateleira de baixo ele pega duas macaxeiras médias e com uma faca ele retira a casca, corta em pedaços pequenos e joga na panela.
- Bem deixa a macaxeira amolecer, o peixe fritar. Ta pronto o almoço.
Senta no banco da mesa e fica olhando para a pessoa deitada no colchão da casa.
Ele nota algo diferente. Uma coisa o surpreende. A roupa mudou de cor e o corpo diminuiu de tamanho.
- Égua, tenho certeza disso.
Ele levanta chega perto da cama.
- Virgem mãe do céu, a roupa era azul agora ta amarela. Será que amadureceu? Era novo, tinha só umas rugas. Agora ta velho, encriquilhado. Parece um macaco guariba. Deus do céu. Isso não é uma pessoa, não é gente. Isso é um encantado. Isso é do povo da floresta. Mas como? Num conheço todos? Curupira não é.
Filho de Iara também não. Boto não fica assim. Ele pode ser ele é um vira bicho. Mas num é macaco não. Será que é um vira-gente?
E a pessoa se transforma. A respiração forte, audível com uma espécie de ronco vindo de dentro do peito, os pés, as pernas, o tronco, os braços tremem, convulsão completa, o rosto muda de cor, de jeito, de tamanho até ficar feito uma bola de látex, os olhos abrem.
Damasceno toma um susto.
A criatura ergue, fica em pé ao lado da cama.
Pequena, do tamanho de uma criança de 10 anos. Os olhos como de peixe, amarelos líquidos, a cabeça, cinza clara esférica, sem nariz nem ouvidos aparentes.
Dois braços meio que asa, nadadeiras. A roupa agora marrom escura encobre o corpo todo. Iridescente, nacarada, parecendo de penas, de plástico.
Meio que cor de borboleta, meio que escamada. As pernas, finas, invés de pés, patas triangulares com três dedos-garras cada uma.
Damasceno em pé estático espera um num sei o que da coisa-pessoa a sua frente.
Fica olhando pasmado com calma e pacificamente para ela.
Damasceno sente o cheiro das ervas na panela quente, da macaxeira cozida, do peixe frito na frigideira, vira-se vai até a preteleira, pega um prato, colher. Pensa. Não é gente, não é uma pessoa, que bicho estranho é este? Será que isto ai come peixe?
Ele volta-se a tempo de ver a criatura inominada sair da casa trotando porta afora.
- Ora, mas, se eu contar ninguém vai acreditar no que acabou de acontecer aqui, e eu que pensei que já tinha visto de tudo.
Atônito ele observa o trotar da criatura pelo terreiro a frente da casa até a criatura chegar a mata onde simplesmente ela mimetiza-se em verdes variados de folhas e. Desaparece
- Mas o que é isso? Que é que isso já aqui?
Damasceno aproxima da pessoa e cutuca com a bota de sete léguas o dorso dela, abaixa e olha bem perto o rosto e repara que a pessoa respira pouco, mas respira.
- Ta vivo, deve ta doente, que porcaria de roupa é esta? Melhor deixar o peixe no jirau. De onde é que já me veio este? Será que teve festa lá no bar do seu Duca?
Damasceno volta à frente da casa e carrega a pessoa.
- Mas é leve leve. Parece homem, parece mulher. Será que é fresco?
Com cuidado Damasceno entra na casa de madeira, deita a pessoa no colchão de espuma da cama no canto esquerdo da casa. Ele examina melhor a pessoa, toca na testa branca e Semitransparente.
- Tá frio.
Toca o rosto.
-Não tem sobrancelhas. O Cabelo é parece borboleta azul, brilha, a cara parece de boneca de criança.
Com os dedos tenta abrir um olho, o outro.
- Mais que é isto? Parece pregado. Haaá é pela horizontal. Puxa a pálpebra pelo lado e consegue abrir. O Olho é pretoprateado. Parece cor de panela de alumínio suja.
Tenta abrir a boca.
- Não tem lábios.
Com as duas mãos ele repuxa e abre.
Surpreso.
- Olha só, não tem dente nenhum, e a língua ta pregada no céu da boca.
Eu héin! Vê nada. Ta desmaiado. Não O que é que faço?
Damasceno tenta tirar a roupa da pessoa, puxa estica mas não consegue, não tem costura, não tem fecho éclair; não sai.
- Toma banho será. Hum, hum. Cheira a? Cheira a.
Quando a gente abre com terçado o ouriço da castanha do Pará.
Ele não tem nada rasgado. Não tem ferida nenhuma.
Por esse pescoço, pelo jeito esse ai nunca viu sol. Não tem peito, Magro parece uma osga, então não é mulher, mas também não é homem, não tem rola é liso ai entre as pernas. Bem, vamos ver se ele acorda. Vamos ver.
Damasceno sai para o terreiro, vai ao jirau e pega corvina, abre e puxa as tripas, corta a cabeça e vai deslizando o facão para tirar as escamas. Pega outra corvina, o tucunaré e corta por inteiro. Traz o balde de sal, passa em todos os peixes, menos o que vai comer hoje e estira sobre o plástico para secar ao sol.
Entra de novo na casa. Olha para a, pessoa. Ele pensa assim: É uma pessoa, não sei de que sexo é, mas uma pessoa é uma pessoa, e esta precisando de ajuda. Vai à prateleira da parede e desembrulha um cobertor de algodão cru acinzentado e coloca sobre ela.
Vira para a cozinha ( no lado direito da casa de um cômodo)
Vai para o fogareiro de 2 bocas, arruma o carvão, joga um pouco de querosene, risca um fósforo. O fogo acende, ele fica abanando até ficar no ponto.
Coloca a frigideira, derrama bem óleo de soja e coloca as postas de peixe para fritar.
Pega na prateleira de cima uma garrafa pet de 2 litros, derrama a metade da água ( de chuva) limpa em uma panela velha e coloca no fogareiro.
Pega uma outra garrafa pet cortada ao meio, retira um maço de ervas secas, joga na panela.
Na prateleira de baixo ele pega duas macaxeiras médias e com uma faca ele retira a casca, corta em pedaços pequenos e joga na panela.
- Bem deixa a macaxeira amolecer, o peixe fritar. Ta pronto o almoço.
Senta no banco da mesa e fica olhando para a pessoa deitada no colchão da casa.
Ele nota algo diferente. Uma coisa o surpreende. A roupa mudou de cor e o corpo diminuiu de tamanho.
- Égua, tenho certeza disso.
Ele levanta chega perto da cama.
- Virgem mãe do céu, a roupa era azul agora ta amarela. Será que amadureceu? Era novo, tinha só umas rugas. Agora ta velho, encriquilhado. Parece um macaco guariba. Deus do céu. Isso não é uma pessoa, não é gente. Isso é um encantado. Isso é do povo da floresta. Mas como? Num conheço todos? Curupira não é.
Filho de Iara também não. Boto não fica assim. Ele pode ser ele é um vira bicho. Mas num é macaco não. Será que é um vira-gente?
E a pessoa se transforma. A respiração forte, audível com uma espécie de ronco vindo de dentro do peito, os pés, as pernas, o tronco, os braços tremem, convulsão completa, o rosto muda de cor, de jeito, de tamanho até ficar feito uma bola de látex, os olhos abrem.
Damasceno toma um susto.
A criatura ergue, fica em pé ao lado da cama.
Pequena, do tamanho de uma criança de 10 anos. Os olhos como de peixe, amarelos líquidos, a cabeça, cinza clara esférica, sem nariz nem ouvidos aparentes.
Dois braços meio que asa, nadadeiras. A roupa agora marrom escura encobre o corpo todo. Iridescente, nacarada, parecendo de penas, de plástico.
Meio que cor de borboleta, meio que escamada. As pernas, finas, invés de pés, patas triangulares com três dedos-garras cada uma.
Damasceno em pé estático espera um num sei o que da coisa-pessoa a sua frente.
Fica olhando pasmado com calma e pacificamente para ela.
Damasceno sente o cheiro das ervas na panela quente, da macaxeira cozida, do peixe frito na frigideira, vira-se vai até a preteleira, pega um prato, colher. Pensa. Não é gente, não é uma pessoa, que bicho estranho é este? Será que isto ai come peixe?
Ele volta-se a tempo de ver a criatura inominada sair da casa trotando porta afora.
- Ora, mas, se eu contar ninguém vai acreditar no que acabou de acontecer aqui, e eu que pensei que já tinha visto de tudo.
Atônito ele observa o trotar da criatura pelo terreiro a frente da casa até a criatura chegar a mata onde simplesmente ela mimetiza-se em verdes variados de folhas e. Desaparece








