Que bicho estranho é este
Ilha de charapucu, arquipélago do Marajó. Amazônia, Brasil.
Oliveiro Damasceno amarra a corda de sua canoa no pequeno trapiche do rio e salta com duas corvinas de 3, 3 quilos e meio e pega o rumo de sua casa pelo estreito caminho na mata, sua casa que fica ali! Mais adentro da ilha em local que não alaga na temporada das chuvas.
Chegando ao seu terreno com o resultado da pescaria matinal, Damasceno encontra no terreiro de terra batida em frente a sua casa uma pessoa deitada na terra branca, toda vestida com uma roupa azul- preta- colada- na- pele e em posição fetal.
Oliveiro Damasceno amarra a corda de sua canoa no pequeno trapiche do rio e salta com duas corvinas de 3, 3 quilos e meio e pega o rumo de sua casa pelo estreito caminho na mata, sua casa que fica ali! Mais adentro da ilha em local que não alaga na temporada das chuvas.
Chegando ao seu terreno com o resultado da pescaria matinal, Damasceno encontra no terreiro de terra batida em frente a sua casa uma pessoa deitada na terra branca, toda vestida com uma roupa azul- preta- colada- na- pele e em posição fetal.
Damasceno para e resmunga.
- Mas o que é isso? Que é que isso já aqui?
Damasceno aproxima da pessoa e cutuca com a bota de sete léguas o dorso dela, abaixa e olha bem perto o rosto e repara que a pessoa respira pouco, mas respira.
- Ta vivo, deve ta doente, que porcaria de roupa é esta? Melhor deixar o peixe no jirau. De onde é que já me veio este? Será que teve festa lá no bar do seu Duca?
Damasceno volta à frente da casa e carrega a pessoa.
- Mas é leve leve. Parece homem, parece mulher. Será que é fresco?
Com cuidado Damasceno entra na casa de madeira, deita a pessoa no colchão de espuma da cama no canto esquerdo da casa. Ele examina melhor a pessoa, toca na testa branca e Semitransparente.
- Tá frio.
Toca o rosto.
-Não tem sobrancelhas. O Cabelo é parece borboleta azul, brilha, a cara parece de boneca de criança.
Com os dedos tenta abrir um olho, o outro.
- Mais que é isto? Parece pregado. Haaá é pela horizontal. Puxa a pálpebra pelo lado e consegue abrir. O Olho é pretoprateado. Parece cor de panela de alumínio suja.
Tenta abrir a boca.
- Não tem lábios.
Com as duas mãos ele repuxa e abre.
Surpreso.
- Olha só, não tem dente nenhum, e a língua ta pregada no céu da boca.
Eu héin! Vê nada. Ta desmaiado. Não O que é que faço?
Damasceno tenta tirar a roupa da pessoa, puxa estica mas não consegue, não tem costura, não tem fecho éclair; não sai.
- Toma banho será. Hum, hum. Cheira a? Cheira a.
Quando a gente abre com terçado o ouriço da castanha do Pará.
Ele não tem nada rasgado. Não tem ferida nenhuma.
Por esse pescoço, pelo jeito esse ai nunca viu sol. Não tem peito, Magro parece uma osga, então não é mulher, mas também não é homem, não tem rola é liso ai entre as pernas. Bem, vamos ver se ele acorda. Vamos ver.
Damasceno sai para o terreiro, vai ao jirau e pega corvina, abre e puxa as tripas, corta a cabeça e vai deslizando o facão para tirar as escamas. Pega outra corvina, o tucunaré e corta por inteiro. Traz o balde de sal, passa em todos os peixes, menos o que vai comer hoje e estira sobre o plástico para secar ao sol.
Entra de novo na casa. Olha para a, pessoa. Ele pensa assim: É uma pessoa, não sei de que sexo é, mas uma pessoa é uma pessoa, e esta precisando de ajuda. Vai à prateleira da parede e desembrulha um cobertor de algodão cru acinzentado e coloca sobre ela.
Vira para a cozinha ( no lado direito da casa de um cômodo)
Vai para o fogareiro de 2 bocas, arruma o carvão, joga um pouco de querosene, risca um fósforo. O fogo acende, ele fica abanando até ficar no ponto.
Coloca a frigideira, derrama bem óleo de soja e coloca as postas de peixe para fritar.
Pega na prateleira de cima uma garrafa pet de 2 litros, derrama a metade da água ( de chuva) limpa em uma panela velha e coloca no fogareiro.
Pega uma outra garrafa pet cortada ao meio, retira um maço de ervas secas, joga na panela.
Na prateleira de baixo ele pega duas macaxeiras médias e com uma faca ele retira a casca, corta em pedaços pequenos e joga na panela.
- Bem deixa a macaxeira amolecer, o peixe fritar. Ta pronto o almoço.
Senta no banco da mesa e fica olhando para a pessoa deitada no colchão da casa.
Ele nota algo diferente. Uma coisa o surpreende. A roupa mudou de cor e o corpo diminuiu de tamanho.
- Égua, tenho certeza disso.
Ele levanta chega perto da cama.
- Virgem mãe do céu, a roupa era azul agora ta amarela. Será que amadureceu? Era novo, tinha só umas rugas. Agora ta velho, encriquilhado. Parece um macaco guariba. Deus do céu. Isso não é uma pessoa, não é gente. Isso é um encantado. Isso é do povo da floresta. Mas como? Num conheço todos? Curupira não é.
Filho de Iara também não. Boto não fica assim. Ele pode ser ele é um vira bicho. Mas num é macaco não. Será que é um vira-gente?
E a pessoa se transforma. A respiração forte, audível com uma espécie de ronco vindo de dentro do peito, os pés, as pernas, o tronco, os braços tremem, convulsão completa, o rosto muda de cor, de jeito, de tamanho até ficar feito uma bola de látex, os olhos abrem.
Damasceno toma um susto.
A criatura ergue, fica em pé ao lado da cama.
Pequena, do tamanho de uma criança de 10 anos. Os olhos como de peixe, amarelos líquidos, a cabeça, cinza clara esférica, sem nariz nem ouvidos aparentes.
Dois braços meio que asa, nadadeiras. A roupa agora marrom escura encobre o corpo todo. Iridescente, nacarada, parecendo de penas, de plástico.
Meio que cor de borboleta, meio que escamada. As pernas, finas, invés de pés, patas triangulares com três dedos-garras cada uma.
Damasceno em pé estático espera um num sei o que da coisa-pessoa a sua frente.
Fica olhando pasmado com calma e pacificamente para ela.
Damasceno sente o cheiro das ervas na panela quente, da macaxeira cozida, do peixe frito na frigideira, vira-se vai até a preteleira, pega um prato, colher. Pensa. Não é gente, não é uma pessoa, que bicho estranho é este? Será que isto ai come peixe?
Ele volta-se a tempo de ver a criatura inominada sair da casa trotando porta afora.
- Ora, mas, se eu contar ninguém vai acreditar no que acabou de acontecer aqui, e eu que pensei que já tinha visto de tudo.
Atônito ele observa o trotar da criatura pelo terreiro a frente da casa até a criatura chegar a mata onde simplesmente ela mimetiza-se em verdes variados de folhas e. Desaparece
- Mas o que é isso? Que é que isso já aqui?
Damasceno aproxima da pessoa e cutuca com a bota de sete léguas o dorso dela, abaixa e olha bem perto o rosto e repara que a pessoa respira pouco, mas respira.
- Ta vivo, deve ta doente, que porcaria de roupa é esta? Melhor deixar o peixe no jirau. De onde é que já me veio este? Será que teve festa lá no bar do seu Duca?
Damasceno volta à frente da casa e carrega a pessoa.
- Mas é leve leve. Parece homem, parece mulher. Será que é fresco?
Com cuidado Damasceno entra na casa de madeira, deita a pessoa no colchão de espuma da cama no canto esquerdo da casa. Ele examina melhor a pessoa, toca na testa branca e Semitransparente.
- Tá frio.
Toca o rosto.
-Não tem sobrancelhas. O Cabelo é parece borboleta azul, brilha, a cara parece de boneca de criança.
Com os dedos tenta abrir um olho, o outro.
- Mais que é isto? Parece pregado. Haaá é pela horizontal. Puxa a pálpebra pelo lado e consegue abrir. O Olho é pretoprateado. Parece cor de panela de alumínio suja.
Tenta abrir a boca.
- Não tem lábios.
Com as duas mãos ele repuxa e abre.
Surpreso.
- Olha só, não tem dente nenhum, e a língua ta pregada no céu da boca.
Eu héin! Vê nada. Ta desmaiado. Não O que é que faço?
Damasceno tenta tirar a roupa da pessoa, puxa estica mas não consegue, não tem costura, não tem fecho éclair; não sai.
- Toma banho será. Hum, hum. Cheira a? Cheira a.
Quando a gente abre com terçado o ouriço da castanha do Pará.
Ele não tem nada rasgado. Não tem ferida nenhuma.
Por esse pescoço, pelo jeito esse ai nunca viu sol. Não tem peito, Magro parece uma osga, então não é mulher, mas também não é homem, não tem rola é liso ai entre as pernas. Bem, vamos ver se ele acorda. Vamos ver.
Damasceno sai para o terreiro, vai ao jirau e pega corvina, abre e puxa as tripas, corta a cabeça e vai deslizando o facão para tirar as escamas. Pega outra corvina, o tucunaré e corta por inteiro. Traz o balde de sal, passa em todos os peixes, menos o que vai comer hoje e estira sobre o plástico para secar ao sol.
Entra de novo na casa. Olha para a, pessoa. Ele pensa assim: É uma pessoa, não sei de que sexo é, mas uma pessoa é uma pessoa, e esta precisando de ajuda. Vai à prateleira da parede e desembrulha um cobertor de algodão cru acinzentado e coloca sobre ela.
Vira para a cozinha ( no lado direito da casa de um cômodo)
Vai para o fogareiro de 2 bocas, arruma o carvão, joga um pouco de querosene, risca um fósforo. O fogo acende, ele fica abanando até ficar no ponto.
Coloca a frigideira, derrama bem óleo de soja e coloca as postas de peixe para fritar.
Pega na prateleira de cima uma garrafa pet de 2 litros, derrama a metade da água ( de chuva) limpa em uma panela velha e coloca no fogareiro.
Pega uma outra garrafa pet cortada ao meio, retira um maço de ervas secas, joga na panela.
Na prateleira de baixo ele pega duas macaxeiras médias e com uma faca ele retira a casca, corta em pedaços pequenos e joga na panela.
- Bem deixa a macaxeira amolecer, o peixe fritar. Ta pronto o almoço.
Senta no banco da mesa e fica olhando para a pessoa deitada no colchão da casa.
Ele nota algo diferente. Uma coisa o surpreende. A roupa mudou de cor e o corpo diminuiu de tamanho.
- Égua, tenho certeza disso.
Ele levanta chega perto da cama.
- Virgem mãe do céu, a roupa era azul agora ta amarela. Será que amadureceu? Era novo, tinha só umas rugas. Agora ta velho, encriquilhado. Parece um macaco guariba. Deus do céu. Isso não é uma pessoa, não é gente. Isso é um encantado. Isso é do povo da floresta. Mas como? Num conheço todos? Curupira não é.
Filho de Iara também não. Boto não fica assim. Ele pode ser ele é um vira bicho. Mas num é macaco não. Será que é um vira-gente?
E a pessoa se transforma. A respiração forte, audível com uma espécie de ronco vindo de dentro do peito, os pés, as pernas, o tronco, os braços tremem, convulsão completa, o rosto muda de cor, de jeito, de tamanho até ficar feito uma bola de látex, os olhos abrem.
Damasceno toma um susto.
A criatura ergue, fica em pé ao lado da cama.
Pequena, do tamanho de uma criança de 10 anos. Os olhos como de peixe, amarelos líquidos, a cabeça, cinza clara esférica, sem nariz nem ouvidos aparentes.
Dois braços meio que asa, nadadeiras. A roupa agora marrom escura encobre o corpo todo. Iridescente, nacarada, parecendo de penas, de plástico.
Meio que cor de borboleta, meio que escamada. As pernas, finas, invés de pés, patas triangulares com três dedos-garras cada uma.
Damasceno em pé estático espera um num sei o que da coisa-pessoa a sua frente.
Fica olhando pasmado com calma e pacificamente para ela.
Damasceno sente o cheiro das ervas na panela quente, da macaxeira cozida, do peixe frito na frigideira, vira-se vai até a preteleira, pega um prato, colher. Pensa. Não é gente, não é uma pessoa, que bicho estranho é este? Será que isto ai come peixe?
Ele volta-se a tempo de ver a criatura inominada sair da casa trotando porta afora.
- Ora, mas, se eu contar ninguém vai acreditar no que acabou de acontecer aqui, e eu que pensei que já tinha visto de tudo.
Atônito ele observa o trotar da criatura pelo terreiro a frente da casa até a criatura chegar a mata onde simplesmente ela mimetiza-se em verdes variados de folhas e. Desaparece
Conversa no celular
Belém do Pará 14 de janeiro de 2009, segunda feira, duas mulheres pegaram em pontos diferentes o mesmo ônibus. Cidade Nova 04, rumo ao centro comercial da cidade, elas conversam pelo celular.
Eneida. Sentada logo atrás do cobrador, lado esquerdo ao lado de um estudante, na janela (que esta fechada para não arrepiar os cabelos louros) calça jeans, estilo Gang, bem rente ao púbis. Tênis All Star rosa, meias soquete branca, camisa rosa com a logomarca da empresa em branco, óculos escuros meio gateados. Provavelmente 35 anos. Loura.
Alicia. Sentada lá no fundo, lado esquerdo, na ultima fileira do ônibus lotado. Vestindo calça jeans desbotada e rasgada em pontos estratégicos Sapato preto salto 15, blusa vermelha, mangas curta e com lantejoulas amarelas, azuis e verdes formando um buquê flores bem na linha dos seios com sutiã de alça de silicone transparente, suspendendo fartos seios. Alicia Trindade, idade, provavelmente 25,30 anos. Loura.
- Eneida eu nem te conto do que eu fiz neste final e semana. Vais ficar com inveja. Eneida você não acha que hoje este calor é um absurdo, nós estamos vivendo um clima idêntico ao deserto do Saara. Viste na televisão aquela reportagem.
- Foste para o aniversario da tua vó?
Alicia - no inicio eu não ia. Depois fui. Não te levei porque tu não ias te acostumar. Tu é urbana, é cheia de frescura.
Eneida - Tas fazendo idéia errada de mim. Mas conta. Que homem foi esse?
Alicia – Como tu sabes que foi homem?
Eneida – e tu já pensas em outra coisa?
Alicia – credo que maldade essa tua, eu penso sim em um monte de coisas. Veja só; hoje esta prevista uma onda de calor com temperatura de 40 graus. Estamos vivendo em Belém um efeito estufa.
Eneida – Eu também assisti o jornal da manhã. Fala sobre o teu final de semana.
Alicia – Foi impressionante e eu fiquei com ele a tarde inteira num igarapé. Fantástico. O homem é impressionante. Um guerreiro. Me pegou de tudo quanto foi jeito. Eu acho que peguei uma micose na bunda. Estou cheia de calombo no corpo inteiro de tanto mosquito, mas ah! Foi uma coisa assim.Você imagina isso?
Eneida – No igarapé não sei lá o que podia entrar em mim. Mas de homem, homem mesmo bem que estou precisando, ando meio devagar depois do que o Nelson me fez.
Alicia - Aquele safado. Mas também você queria o que? Estava escrito na testa calva dele “C A N A L H A”, lembra do churrasco do Vidinho, ele deu em cima de mim. Ele te abraçava e por trás de ti ele piscava, mexia os lábios me provocando. Homem ridículo. Tu parece boba.
Eneida - É as vezes eu pareço sabe lá o que?
Alicia - Tábom tábom, e eu aqui contando minhas peripécias sexuais, há bom. Escuta, tu é minha parceira, minha melhor amiga.
Eneida - Alicia eu ouvi um barulho de sirene, foi uma ambulância do SUS que passou por ai?
Alicia - Agorinha mesmo, eu ouvi também no teu celular. Você esta vendo o viaduto?
Eneida – Estou.
Alicia – Você está vendo o batalhão dos Bombeiros. Que ônibus tu pegaste?
Eneida – Cidade Nova 04, que eu sempre pego, passa próximo da tua casa, eu estou na frente, sentada atrás do cobrador.
Alicia – Eu estou também neste mesmo ônibus, mas eu não te vi na tua parada.
Eneida - Faz o seguinte, vem para cá, vamos sentar juntas, o rapaz ao meu lado é estudante e já vai sair. Não é moço? Você pode ceder o luar para minha amiga, por favor. Obrigada.
O estudante de 2º, sem nenhuma coragem para contradizer tal loura, levanta da cadeira do ônibus. Eneida coloca sua bolsa no lugar vazio, antes que um senhor tente sentar e explica. – Desculpe meu senhor, mais este lugar esta reservado para minha amiga que esta em pé lá trás e já esta vindo.
Alicia - Empurrando com as coxas o senhor, pedindo licença para o estudante. Moço por favor, me deixa passar. Obrigado. Obrigado.
Enfim as duas louras reuniram-se, sentaram juntas para colocar os papos em dia.
O estudante que perdeu seu lugar ficou em pé ficou sorridente; ganhou um visão privilegiada dos fartos seios sobressaindo da blusa cavada da loura que chegou.
Alicia - Pronto amiga obrigada pelo lugar.
Eneida - Sua louca, porque tu não me falaste que estava no ônibus, agora fico gastando celular à toa.
Alicia - Até que estava bem assim, pessoalmente acho que tu falas muito, me deixa tonta. Hum. Que cheiro é esse? Estas com aquele perfume francês horrível.
Eneida – Deixa de inveja, tu é que falas muito. Tu gostas do meu perfume, só no teu aniversario te dou de presente. Agora conta tu aventura interiorana.
Alicia Tem muita gente no ônibus, Vão ouvir.
Eneida – fala mais baixo com esse barulho do transito, ninguém ouve. Conta logo.
Alicia - Certo. Tu sabes que tenho uma tia vó, foi ela que me criou lá em Murinim, e, bem nova vim para cá, pra Belém e ai.
Eneida - Não enrola, eu já conheço toda a história da tua vida, e inclusive posso te dizer que já ouvi várias versões, que a tua imaginação é algo assim. Conta logo, eu vou descer duas paradas adiante.
Alicia - Há, é sexo, puro sexo. Eu gosto, tu sabes né, anda tão difícil encontrar um. E quando se acha um homem bonito.
Eneida - É fresco! Mas tem uns que são carinhosos, levam a gente para jantar.
Alicia – Não tem jeito, não gosto de fresco. Eu gosto é de homem, bruto, macho, sem frescura. Quero te perguntar uma coisa.. Tu podes me levar na tua mãe de santo.
Eneida – Que é isso? O que é que tem uma coisa haver com a outra?
Alicia – Te explico, foi uma coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha. Venho me sentindo estranha. Veja só. Eu fui para Murinin sexta feira de noite o aniversário de 93 anos da vovó foi no sábado
Eneida - Conta mais rápido que na próxima parada eu desço.
Alicia - O nome dele é Romualdo. Baixo, um pouco mais alto que eu. Caboclo criado sem cueca, índio, indígena de pele morena, cabelo preto, sem pelos; forte, trocundo e o que foi de melhor. Bem, muito bem dotado.
Eneida – Jura de que jeito?
Alicia – Larga, grossa, comprida. Eneida, quando ele entra. Atola, invade, preenche.
Eneida – E, e quando ele vem em Belém.
Alicia – Já coloquei minha casa a disposição. Só pra mim
Eneida – Egoísta. E o porque da mãe de santo?
Alicia - Segundo a vovó, ela que criou ele, ele foi achado na beira do rio. Ela diz que ele é filho de boto. Teve uma hora quando estava agarrada, sentada nele, passei a mão nos cabelos pretos e puxei pro meus peitos. Eneida tinha bem no alto um buraco na cabeça dele. Ai ele me abraçou e mergulhamos no igarapé. Eneida, te juro amiga, te juro por tudo quanto é mais sagrado, o igarapé, de fundura, chegava até meus joelhos, mas quando ele me levou, fui indo para fundo, fui indo, indo. Sabe caldo de cana. Coloca um luz dentro que fica iqualzinho por onde fui. Quando gozei, gozamos, notei que o buraco fazia chiii,chiii, respirava. Foi louco, o melhor final de semana da minha vida. Só que Depois de ter gozado, na volta para casa da vó perguntei a ele e ele disse sim que era filho do boto.
Eneida – E ai?
Alicia – E se ele for mesmo?
Eneida – E dai? eu já dei pra coisa pior. Já vou pro trabalho.Já estou descendo. Faz o seguinte, compra um aquário. Melhor monta uma piscina de água corrente no teu quintal e, me convida que eu vou passar um domingo inteiro feito minhoca no anzol pra esse peixe ficar me comendo.
Eneida. Sentada logo atrás do cobrador, lado esquerdo ao lado de um estudante, na janela (que esta fechada para não arrepiar os cabelos louros) calça jeans, estilo Gang, bem rente ao púbis. Tênis All Star rosa, meias soquete branca, camisa rosa com a logomarca da empresa em branco, óculos escuros meio gateados. Provavelmente 35 anos. Loura.
Alicia. Sentada lá no fundo, lado esquerdo, na ultima fileira do ônibus lotado. Vestindo calça jeans desbotada e rasgada em pontos estratégicos Sapato preto salto 15, blusa vermelha, mangas curta e com lantejoulas amarelas, azuis e verdes formando um buquê flores bem na linha dos seios com sutiã de alça de silicone transparente, suspendendo fartos seios. Alicia Trindade, idade, provavelmente 25,30 anos. Loura.
- Eneida eu nem te conto do que eu fiz neste final e semana. Vais ficar com inveja. Eneida você não acha que hoje este calor é um absurdo, nós estamos vivendo um clima idêntico ao deserto do Saara. Viste na televisão aquela reportagem.
- Foste para o aniversario da tua vó?
Alicia - no inicio eu não ia. Depois fui. Não te levei porque tu não ias te acostumar. Tu é urbana, é cheia de frescura.
Eneida - Tas fazendo idéia errada de mim. Mas conta. Que homem foi esse?
Alicia – Como tu sabes que foi homem?
Eneida – e tu já pensas em outra coisa?
Alicia – credo que maldade essa tua, eu penso sim em um monte de coisas. Veja só; hoje esta prevista uma onda de calor com temperatura de 40 graus. Estamos vivendo em Belém um efeito estufa.
Eneida – Eu também assisti o jornal da manhã. Fala sobre o teu final de semana.
Alicia – Foi impressionante e eu fiquei com ele a tarde inteira num igarapé. Fantástico. O homem é impressionante. Um guerreiro. Me pegou de tudo quanto foi jeito. Eu acho que peguei uma micose na bunda. Estou cheia de calombo no corpo inteiro de tanto mosquito, mas ah! Foi uma coisa assim.Você imagina isso?
Eneida – No igarapé não sei lá o que podia entrar em mim. Mas de homem, homem mesmo bem que estou precisando, ando meio devagar depois do que o Nelson me fez.
Alicia - Aquele safado. Mas também você queria o que? Estava escrito na testa calva dele “C A N A L H A”, lembra do churrasco do Vidinho, ele deu em cima de mim. Ele te abraçava e por trás de ti ele piscava, mexia os lábios me provocando. Homem ridículo. Tu parece boba.
Eneida - É as vezes eu pareço sabe lá o que?
Alicia - Tábom tábom, e eu aqui contando minhas peripécias sexuais, há bom. Escuta, tu é minha parceira, minha melhor amiga.
Eneida - Alicia eu ouvi um barulho de sirene, foi uma ambulância do SUS que passou por ai?
Alicia - Agorinha mesmo, eu ouvi também no teu celular. Você esta vendo o viaduto?
Eneida – Estou.
Alicia – Você está vendo o batalhão dos Bombeiros. Que ônibus tu pegaste?
Eneida – Cidade Nova 04, que eu sempre pego, passa próximo da tua casa, eu estou na frente, sentada atrás do cobrador.
Alicia – Eu estou também neste mesmo ônibus, mas eu não te vi na tua parada.
Eneida - Faz o seguinte, vem para cá, vamos sentar juntas, o rapaz ao meu lado é estudante e já vai sair. Não é moço? Você pode ceder o luar para minha amiga, por favor. Obrigada.
O estudante de 2º, sem nenhuma coragem para contradizer tal loura, levanta da cadeira do ônibus. Eneida coloca sua bolsa no lugar vazio, antes que um senhor tente sentar e explica. – Desculpe meu senhor, mais este lugar esta reservado para minha amiga que esta em pé lá trás e já esta vindo.
Alicia - Empurrando com as coxas o senhor, pedindo licença para o estudante. Moço por favor, me deixa passar. Obrigado. Obrigado.
Enfim as duas louras reuniram-se, sentaram juntas para colocar os papos em dia.
O estudante que perdeu seu lugar ficou em pé ficou sorridente; ganhou um visão privilegiada dos fartos seios sobressaindo da blusa cavada da loura que chegou.
Alicia - Pronto amiga obrigada pelo lugar.
Eneida - Sua louca, porque tu não me falaste que estava no ônibus, agora fico gastando celular à toa.
Alicia - Até que estava bem assim, pessoalmente acho que tu falas muito, me deixa tonta. Hum. Que cheiro é esse? Estas com aquele perfume francês horrível.
Eneida – Deixa de inveja, tu é que falas muito. Tu gostas do meu perfume, só no teu aniversario te dou de presente. Agora conta tu aventura interiorana.
Alicia Tem muita gente no ônibus, Vão ouvir.
Eneida – fala mais baixo com esse barulho do transito, ninguém ouve. Conta logo.
Alicia - Certo. Tu sabes que tenho uma tia vó, foi ela que me criou lá em Murinim, e, bem nova vim para cá, pra Belém e ai.
Eneida - Não enrola, eu já conheço toda a história da tua vida, e inclusive posso te dizer que já ouvi várias versões, que a tua imaginação é algo assim. Conta logo, eu vou descer duas paradas adiante.
Alicia - Há, é sexo, puro sexo. Eu gosto, tu sabes né, anda tão difícil encontrar um. E quando se acha um homem bonito.
Eneida - É fresco! Mas tem uns que são carinhosos, levam a gente para jantar.
Alicia – Não tem jeito, não gosto de fresco. Eu gosto é de homem, bruto, macho, sem frescura. Quero te perguntar uma coisa.. Tu podes me levar na tua mãe de santo.
Eneida – Que é isso? O que é que tem uma coisa haver com a outra?
Alicia – Te explico, foi uma coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha. Venho me sentindo estranha. Veja só. Eu fui para Murinin sexta feira de noite o aniversário de 93 anos da vovó foi no sábado
Eneida - Conta mais rápido que na próxima parada eu desço.
Alicia - O nome dele é Romualdo. Baixo, um pouco mais alto que eu. Caboclo criado sem cueca, índio, indígena de pele morena, cabelo preto, sem pelos; forte, trocundo e o que foi de melhor. Bem, muito bem dotado.
Eneida – Jura de que jeito?
Alicia – Larga, grossa, comprida. Eneida, quando ele entra. Atola, invade, preenche.
Eneida – E, e quando ele vem em Belém.
Alicia – Já coloquei minha casa a disposição. Só pra mim
Eneida – Egoísta. E o porque da mãe de santo?
Alicia - Segundo a vovó, ela que criou ele, ele foi achado na beira do rio. Ela diz que ele é filho de boto. Teve uma hora quando estava agarrada, sentada nele, passei a mão nos cabelos pretos e puxei pro meus peitos. Eneida tinha bem no alto um buraco na cabeça dele. Ai ele me abraçou e mergulhamos no igarapé. Eneida, te juro amiga, te juro por tudo quanto é mais sagrado, o igarapé, de fundura, chegava até meus joelhos, mas quando ele me levou, fui indo para fundo, fui indo, indo. Sabe caldo de cana. Coloca um luz dentro que fica iqualzinho por onde fui. Quando gozei, gozamos, notei que o buraco fazia chiii,chiii, respirava. Foi louco, o melhor final de semana da minha vida. Só que Depois de ter gozado, na volta para casa da vó perguntei a ele e ele disse sim que era filho do boto.
Eneida – E ai?
Alicia – E se ele for mesmo?
Eneida – E dai? eu já dei pra coisa pior. Já vou pro trabalho.Já estou descendo. Faz o seguinte, compra um aquário. Melhor monta uma piscina de água corrente no teu quintal e, me convida que eu vou passar um domingo inteiro feito minhoca no anzol pra esse peixe ficar me comendo.








